terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Amélia Pinto Pais

Nasceu em 1943 numa aldeia beirã, licenciou-se em Filologia Românica, pela Universidade de Coimbra; foi professora de Português e Francês do ensino secundário durante 36 anos e meio .Vive em Leiria. É atualmente professora aposentada .

Desempenhou cargos de formação inicial de professores e de formação contínua no âmbito da Língua Portuguesa e da sua didática. Participou ativamente muitas vezes com comunicações em diversos encontros e congressos sobre literatura, seu ensino, nomeadamente camonianos e pessoanos, organizados pelas universidades e outrasassociações ou escolas.

Escreveu obras de carácter ensaístico e de incidência didáctica, sobre Camões (Para Compreender Os Lusíadas- 1982; Os Lusíadas - edição escolar - texto, introdução e notas- 1987; Eu Cantarei de Amor (Poesia Lírica de Luís de Camões– 1988); Os Lusíadas em Prosa -1995

( adaptação juvenil), Ensinar Os Lusíadas -1997; sobre Fernando Pessoa (Para Compreender Fernando Pessoa -1996) e Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno (edição escolar)).

Foi autora ou co-autora dos manuais escolares Ler Por Gosto (antologias para os 10º,11º e 12ºanos e respectivo livro auxiliar) Ser Em Português (10º,11º e 12ºanos) e autora de Saber Português .Em 2004 - 2005 publicou ainda uma História da Literatura em Portugal –Uma Perspectiva Didáctica – em 3 Volumes. Todos estes seus livros foram e continuam a ser editados pela Areal Editores, Porto.

Já em 2007 publicou o livro Fernando Pessoa - O menino da sua mãe – na colecção à

Descoberta, na AMBAR.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

14 de fevereiro: S. Valentim e Dia da Amizade na Biblioteca


Para comemorar esta efeméride houve colaboração entre o Grupo de Português (com as docentes Dina Moniz e Daniela Sousa), o de Educação Visual e Tecnológica (com os docentes Paulo Soares, Ana Brazão e Lígia), os docentes de EMRC (Paulo e Maria José ) e a Equipa da Biblioteca.
Os alunos da equipa 1 realizaram cartas para celebrar o Dia da Amizade, utilizando técnicas aprendidas nas aulas de Língua Portuguesa. Após a respetiva correção e avaliação, foram transcritas para cartões realizados na disciplina de EVT. Estes discentes revelaram empenho na realização da atividade. Os cartões foram, por último, entregues na Biblioteca.
Por outro lado, muitos alunos elaboraram as suas cartas para a “Correspondência de S. Valentim”. Para o efeito, tiveram à sua disposição para consulta o documento “ Como se faz uma carta?”, bem como vários livros sobre o tema.
A correspondência total foi entregue aos destinatários no dia 14, por um aluno que se voluntariou para tal, o Anthony, do 6º6.
O interior da Biblioteca esteve também muito decorado com cartolinas e outros trabalhos com desenhos e mensagens de amor/amizade (dos alunos de EMRC).
No corredor, em frente à Biblioteca, foram colocadas faixas de papel para os alunos colocarem as suas mensagens, mas estas foram retiradas quando se descobriram mensagens pouco respeitosas.
No geral, as atividades foram bem sucedidas, houve grande adesão dos alunos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Os Lusíadas: estrutura interna e externa


Estrutura Externa

-Preposição – canto I, estrofes 1, 3
-Invocação – canto I, estrofes 4, 5
-Dedicatória – canto I, estrofes 6, 18
-Consílio dos Deuses­ – canto I, estrofes 19, 41
-Formosíssima Maria – canto III, estrofes 102, 106
-Inês de Castro – canto III, estrofes 118, 135
-Batalha de Aljubarrota – canto IV, estrofes 28, 45
-Despedidas Em Belém – canto IV, estrofes 83, 93
-Velho Do Restelo – canto IV, estrofes 94, 104
-O Adamastor – canto V, estrofes 37, 60
-A Tempestade – canto VI, estrofes 70, 93

Estrutura Interna

-Preposição
-Invocação
-Dedicatória
-Narração


Planos narrativos da Narração:

-História de Portugal (plano encaixado)
-Viagem de Vasco Da Gama (plano fulcral)
-Intervenção dos Deuses (plano paralelo)
-Intervenções do Poeta


Estrutura formal das estrofes:

-Versos decassilábicos
-Oito versos (oitavas)
-Esquema rimático (abababcc), com rima cruzada nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos.

Agora joga!


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Luís Vaz de Camões

http://www.youtube.com/watch?v=wzrx215xcRw
Luís de Camões nasceu em 1524 ou 25, provavelmente em Lisboa, filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá.
Tudo parece indicar, embora a questão se mantenha controversa, que Camões pertencia à pequena nobreza. Um dos documentos oficiais que se lhe refere, a carta de perdão datada de 1553, dá-o como «cavaleiro fidalgo» da Casa Real. A situação de nobre não constituía qualquer garantia económica.
Os vastos conhecimentos e cultura do poeta são normalmente justificados por este ter frequentado o ensino superior. Camões provavelmente estudou em Coimbra, pelo facto de se referir, na lírica, a “longo tempo” passado nas margens do Mondego, ligado à circunstância de, pela época que provavelmente seria a dos estudos, um parente de Camões, D. Bento, ter ocupado os cargos de prior do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e de professor da mesma Universidade, levou à constatação que Camões ter estudado em Coimbra, frequentando o mosteiro de Santa Cruz.
Mas nenhum documento atesta a veracidade desta hipótese, embora não haja dúvida de que o poeta tenha passado pela Universidade.
Antes de 1550 estava a viver em Lisboa, onde permaneceu até 1553. Essa estadia foi interrompida por uma expedição a Ceuta onde foi ferido e perdeu um olho.
Em Lisboa, participou com diversas poesias nos divertimentos poéticos a que se entregavam os cortesãos; relacionou-se através desta actividade literária com damas de elevada situação social, entre as quais D. Francisca de Aragão; e com fidalgos de alta nobreza, com alguns dos quais manteve relações de amizade. Representa-se por esta época um auto seu denominado de “El-rei Seleuco” em casa de uma importante figura da corte.
Estes contactos palacianos não devem contudo representar mais do que aspectos episódicos da sua vida, pois a faceta principal desta época parece ser aquela de que dão testemunho as cartas (escritas de Lisboa e da Índia).
Descobriu-se, através do calão conceituoso, retorcido e sarcástico, um homem que escreve ao sabor de uma irónica despreocupação, vivendo apenas do destino, boémio e desregrado. Divide-se entre as amantes (sem pruridos sobre a qualidade das mulheres com quem priva) e a estroinice de bandos de rufiões, ansiosos por rixas de taberna ou brigas de rua onde possam dar largas ao espírito valentão, sem preocupações com a nobreza das causas por que se batem.
Não parece, por esta época, ter modo de vida; e esta imprudência a descambar para a dissolução está de acordo com os documentos através dos quais podemos reconstruir as circunstâncias da sua partida para a Índia.
Na sequência de uma desordem ocorrida no Rossio, em dia do Corpo de Deus, na qual feriu um tal Gonçalvo Borges, foi preso por largos meses na cadeia do Tronco e só saiu – apesar de perdoado pelo ofendido – com a promessa de embarcar para a Índia. Além de provável condição de libertação, é bem possível que Camões tenha visto nesta aventura – a mais comum entre os portugueses de então – uma forma de ganhar a vida ou mesmo de enriquecer. Aliás, uma das poucas compatíveis com a sua condição social de fidalgo, a quem os preconceitos vedavam o exercício de outras profissões.
Foi soldado durante três anos e participou em expedições militares que ficaram recordadas na elegia O poeta Simónides, falando (expedição ao Malabar, em Novembro de 1553, para auxiliar os reis de Porcá) e na canção Junto de um seco, fero, estéril monte (expedição ao estreito de Meca, em 1555).
Esteve também em Macau, ou noutros pontos dos confins do Império, desempenhando as funções de provedor dos bens dos ausentes e defuntos.
Não é ponto assente. Mas o que se sabe é que a nau em que regressava naufragou e o poeta perdeu o que tinha amealhado, salvando a nado Os Lusíadas na foz do rio Mecon, episódio a que alude na estância 128 do Canto X.
Para cúmulo da desgraça foi preso à chegada a Goa pelo governador Francisco Barreto.
Ao fim de catorze anos de vida desafortunada, interrompida certamente por períodos mais folgados, sobretudo quando foi vice-rei D. Francisco Coutinho, conde de Redondo (a quem dedicou diversos poemas que atestam relações amistosas), empreende o regresso a Portugal. Vem até Moçambique a expensas do capitão Pero Barreto Rolim, mas em breve entra em conflito com ele e fica preso por dívidas. Diogo do Couto relata mais este lamentável episódio, contando que foram ainda os amigos que vinham da Índia que, ao encontrá-lo na miséria, se cotizaram para o desempenharem e lhe pagarem o regresso a Lisboa. Diz-nos ainda que, nessa altura, além dos últimos retoques nos “Os Lusíadas”, trabalhava numa obra lírica, o Parnaso, que lhe roubaram – o que, em parte, explica que não tenha publicado a lírica em vida.
Chega a Lisboa em 1569 e publica Os Lusíadas em 1572, conseguindo uma censura excepcionalmente benévola.
Apesar do enorme êxito do poema e de lhe ter sido atribuída uma tença anual de 15000 réis, parece ter continuado a viver pobre.
Morreu em 10 de Junho de 1580. Algum tempo mais tarde, D. Gonçalo Coutinho mandou gravar uma lápide para a sua campa com a citação:
“Aqui jaz Luís de Camões, Príncipe dos Poetas de seu tempo. Viveu pobre e miseravelmente, e assi morreu”